De sobrenome e andanças

Foto da crônica De sobrenome e andanças

Olá, minha gente.

Antes de mais nada, eu já aviso: não sou famoso, mas sempre tive uma certa pretensão de sobrenome.

Se fosse possível, queria ter nascido numa família real — não pela coroa nem pela fortuna, mas para poder carregar uns três ou quatro nomes daqueles que dão a impressão de que a pessoa tem história e muito a contar. Ora, se Dom Pedro I tinha 23 nomes, porque eu também não poderia ter uns quatro... pelo menos! E olhe que ele não fez lá grande coisa, além de nos libertar de Portugal (ato, reconheço, digno de méritos e elogios... não quero ser injusto).

Mas meu pai foi modesto no cartório e me deixou só com dois: Ariano Veríssimo. Muito provavelmente ele estava certo. Colocou-me no meu devido lugar. Foi até demais, diga-se de passagem. Ainda assim, confesso que, se dependesse de mim, eu assinava, todo cheio de orgulho, como Ariano Sabino Alves Veríssimo Braga. Eita. Aí, sim!

Repito: não para parecer importante, longe disso — seria mais para homenagear todo mundo que me ensinou a rir da vida, já que meu prenome Ariano é grandioso e sintetiza tudo que há de melhor do Brasil e de seu povo.

Do Sabino eu pegava a leveza.

Do Alves, a filosofia mansa e a fé na palavra.

E do Braga, o vento que sopra poesia até nos dias de poeira.

Do Veríssimo, tento manter o humor que disfarça inteligência com simplicidade. Ah, não contei ainda, mas também sou um pouco pretensioso — deu pra perceber pela frase anterior, né?

E olhe que ainda poderia colocar, nessa nada modesta alcunha, mais uma meia dúzia de nomes que ficariam muito bem ali. Mas meu pai talvez nunca tivesse ouvido falar dos Sabinos, Machados, Mendes Campos e tantos outros que nos deixaram um legado incrível.

Ele só sabia dizer:

“Meu filho, tenha nome limpo e palavra certa — o resto, a vida escreve.”

Estou seguindo seu conselho. Até agora, de nome limpo, sem dívidas (atrasadas) a pagar. E estou aqui, num auto desafio impressionante. Passo dos 60, com uma coleção de histórias que me acham pelo caminho. Já vivi em cidade grande e em beira de rio, e aprendi que o Brasil é o mesmo em todo canto — só muda o sotaque da esperança. Material e inspiração, não me faltam.

E estes mestres me incentivam, mesmo sem saber ou ter tal intenção, a ousar abrir um site de crônicas. Estou me achando (não no sentido exato da palavra, mas talvez até com um certo ar de vaidade que nem me caia bem).

Passo a aqui publicar causos que gosto de contar, porque descobri que rir é o jeito mais elegante de rezar. E escrevo porque a memória, se não for usada, enferruja. Tento renascer a cada dia, reinventando-me na minha própria ignorância. Estou aqui. Para limpar a ferrugem das lembranças com um pano de riso.

Entre, puxe a cadeira.

Não prometo sabedoria — mas garanto um pouco de humanidade. E, se der sorte, um sorriso. Espero que vocês gostem do que tenho para contar.

“Entre o riso e a lembrança mora a verdade das coisas simples.”

Ariano Veríssimo

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